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O sonho de contar histórias é antigo

Os cadernos que eu transformava em "livros" desde os 11 anos

 Hoje quero compartilhar com vocês uma situação que foi bem importante na minha infância. Logo que comecei a escrever e ser notado na escola em que estudava, os professores me incentivaram a procurar o jornal de Joinville, o A Notícia, e pedir um espaço para publicar versinhos, pensamentos, enfim, algo nesse estilo.

Acabaram, contudo, fazendo uma matéria comigo. Olhando em retrospecto, tenho até vergonha dos escritos que deixei com o jornalista que viria a ser meu colega, Rubens Herbst. Isso porque eram imaturos demais. Porém, é possível relevar! Eu começara a escrever aquilo tudo com 11 anos!

Abaixo, segue a íntegra do texto. Como a matéria é de 2001, não encontro mais ela on-line. Mas transcrevi há algum tempo o texto impresso e compartilho aqui, simplesmente por entender que foi um marco importante na minha história. Lembro da família toda em volta daquele jornal enorme (ainda era standart), lendo uma matéria ocupando a página inteira, com foto colorida, e chorando de emoção.

Espero que vocês gostem =)

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13 de maio de 2001

Descobertas expressas em verso&prosa

RUBENS HERBST.

Joinville - Aos 12 anos, a maioria dos garotos só pensa em jogar futebol, brincar de videogame e assistir TV. Ao mesmo tempo, começa a sentir atração pelo sexo oposto, a sofrer pressão em casa e na escola e a descobrir as coisas que movem o mundo - nem sempre agradáveis, diga-se de passagem. Pouquíssimos, porém, transformam essa avalanche de sentimentos e emoções púberes em matéria-prima para expressões artísticas. Por isso é tão notável o caso do joinvilense Juliano Reinert, 12 anos, cuja produção no campo das letras é tão vasta que parece nem combinar com sua pouca idade.

O interesse de Juliano por poesia começou há três anos, através de livros emprestados da biblioteca da escola municipal onde estuda, a Pedro Ivo Campos. No ano seguinte, a professora da quinta série passou a usar versos de grandes autores nacionais em trabalhos na sala de aula. "Comecei a me interessar cada vez mais e fui melhorando minhas poesias", revela. Mas foi na sexta série que a vocação de Juliano deslanchou de vez, ao ganhar um caderno novinho em folha da direção da escola, onde suas rimas já criaram fama. "Quando estava quase no final, a professora me deu a idéia de fazer dele um livro", diz.

Se o projeto vingar - e Juliano trabalha duro para que isso aconteça -, há material de sobra para pelo menos mais uma ou duas edições. Outros dois cadernos já foram preenchidos com poesias e crônicas que falam sobre natureza e assuntos do cotidiano. "Comecei escrevendo sobre poluição e natureza, que são os temas que a escola (ganhadora do Prêmio Embraco de Ecologia) trabalha bastante. Mas depois que descobri que tinha talento para a poesia, resolvi partir para outros assuntos", comenta o estudante que diz gostar principalmente de enredos com muita ação. "Cada dia é uma inspiração diferente. Às vezes escrevo sobre violência ou história de alguma pessoa."

No momento, Juliano se atém ao quarto caderno, onde uma história longa, completa, começa ganhar as páginas em branco. Batizada "Anjo Terra", conta a trajetória de um anjo decepcionado com a caótica situação do planeta que pede ajuda a um grupo de cinco pessoas para resolver o problema. Quando terminar, ele já tem idéia para seis novas tramas, como "Patrick", "Brunalita" e "Haloween para Sempre", que passam por gêneros distintos como aventura, romance, suspense e até infantil, caso de "Pazmon". Os planos do jovem escritor são primeiro terminar essas histórias e depois pensar em como publicá-las. Há, no entanto, o empecilho da falta de recursos, afinal, Juliano pertence a uma família humilde (o pai é soldador e a mãe auxiliar de copa) e não pode arcar com os altos custos de uma impressão. Enquanto um patrocinador não aparece, ele se encarrega de selecionar uma de suas melhores histórias e encaderná-las, com a ajuda de uma colega de classe que tem computador.

Mas se engana quem pensa que a meta de Juliano é se tornar um novo Carlos Drummond de Andrade ou Rubem Fonseca. Na verdade, seus planos incluem palcos e sets de filmagem. "Quero usar minhas poesias para me tornar conhecido e, assim, realizar meu sonho de ser ator", admite. Para tanto, vai exercitando o talento na escola, participando de peças cujos textos ele mesmo cria.

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